3 de Março, Dia Nacional dos Veteranos

O Dia Nacional dos Veteranos é comemorado todos os anos a 3 de Março, quando passa mais um aniversário sobre a Conferência de Reorganização Nacional de 1981. Foi nesta conferência se iniciou o processo de reestruturação e alargamento da Resistência, após a queda das Bases de Apoio e o quase aniquilamento da liderança da FRETILIN em 1978/79.

Gil da Costa ‘Oan Soru’, Secretário de Estado para os Assuntos dos Combatentes da Libertação Nacional, recordou essa reunião e apelou a que todos os leste-timorenses façam um minuto de silêncio, reflectindo sobre o sacrifício dos Veteranos. O Secretário de Estado lembrou que os Veteranos já não são provavelmente mais de 100, mas que é graças a eles que o país existe e se pode escrever a história da luta de libertação nacional (ver notícia aqui). 

Em declarações telefónicas à agência noticiosa TATOLI, Adriano da Câmara ‘Lintil’, ex-Adjunto da Região ‘Cruzeiro’ e actual Presidente do Conselho de Veteranos do Município de Viqueque, contou pormenores sobre o processo de reorganização da Resistência e a importante conferência de Março de 1981 em Maubai, afirmando que “sem o 3 de Março não haveria independência” (ver notícia aqui).

Em Quelicai, o Dia Nacional dos Veteranos foi assinalado em Quelicai com um seminário sobre a unidade e o desenvolvimento nacional. Luis Américo, Presidente da Comissão Organizadora das celebrações, explicou que um dos objectivos da iniciativa foi reunir os Veteranos para que contem aos mais novos os desafios que enfrentaram na luta pela libertação nacional e, assim, reforçar o seu patriotismo e nacionalismo (ver notícia aqui).

A celebração do Dia Nacional dos Veteranos recorda a importância do registo das memórias dos membros da Resistência (frente armada, clandestina, diplomática, movimento estudantil) que participaram nas diferentes fases da luta pela libertação nacional. Trata-se de uma tarefa que a passagem dos anos torna cada vez mais urgente.

Existem depoimentos em diversas instituições e também na posse de investigadores, que os utilizaram nos seus estudos académicos e publicações. Há depoimentos que foram transcritos, outros talvez não. A sua inventariação e descrição sumária serão da maior utilidade para, desse modo, se ter uma noção mais clara daquilo que já existe, das lacunas e também da informação que é mais urgente recolher. É também importante fazer cópias dessa documentação e guardá-las em (ou noutras) instituições arquivísticas, por uma questão de segurança.  

Um trabalho mais moroso, mas igualmente fundamental, será a análise minuciosa dos depoimentos recolhidos para identificar personagens, organizações, acontecimentos, locais, datas, etc. e posteriormente cruzar essa informação. Só assim será possível mapear aquilo que se passou na Resistência em diferentes épocas e regiões. 

Estão em curso alguns projectos (por ex. CAVR, CAMSTL) de recolha de depoimentos sobre o período da Resistência que poderiam beneficiar da informação já recolhida, se a mesma estivesse disponível e sistematizada. 

É fundamental que instituições e investigadores colaborem na recolha, salvaguarda, tratamento e disponibilização das memórias do período da Resistência. Será a melhor forma de homenagear os Veteranos.

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