Conferência de Jogjacarta, dezembro 1957

Timor-Leste e a Indonésia são países muito diferentes e estavam em circunstâncias muito distintas quando alcançaram a independência. Contudo, é possível encontrar algumas semelhanças entre os dois países quanto à questão da história nacional e da sua escrita.

Quando a colonização neerlandesa da Indonésia chegou ao fim (entre a Declaração da Independência da Indonésia, em 1945, e o seu reconhecimento por parte do Reino dos Países Baixos, no ano de 1949, houve um conflito armado e uma revolução social interna), não haveria mais de 2-3 indonésios com formação em história. A necessidade de escrever a história do país de uma perspetiva indonésia, a nível académico e também para os manuais escolares, foi sentida desde o início da República, mas não foi assunto  prioritário durante a primeira década de independência. 

Nos debates que houve durante esses anos, alguns defenderam que a história devia ser usada para sustentar uma identidade  nacionalista, enquanto que outros pretendiam desenvolvê-la numa atmosfera de liberdade intelectual, de atenção à multiculturalidade existente.

Em dezembro de 1957, a Universidade de Gadjah Mada, a Universidade da Indonésia e o Ministério da Educação e Cultura organizaram uma conferência em Jogjacarta (Yogyakarta) para debater a questão e estimular a investigação e escrita da história por indonésios.

Um dos temas em debate foi “o conceito filosófico de história nacional”, acerca do qual se pronunciaram, com visões distintas, dois importantes intelectuais indonésios e figuras da República, Mohammad Yamin e Soedjatmoko. A comunicação do segundo pode ser lida aqui, numa tradução para inglês, com prefácio de George Kahin.

Os contributos de outros participantes na conferência foram reunidos em livro, de que foi preparada igualmente uma versão em língua inglesa, disponível aqui. Os capítulos sobre fontes históricas constituíam, na época, o guia mais completo sobre fontes primárias para a história da Indonésia.

A Conferência de Jogjacarta de 1957 pode servir de estímulo e exemplo para o trabalho que as instituições académicas e arquivísticas de Timor-Leste devem iniciar para promover o desenvolvimento dos estudos históricos no país.

Imagem: “An Introduction to Indonesian Historiography”, edited by Soedjatmoko.

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