Casa dos Timores, 1974

A Casa dos Timores tornou-se um espaço e um movimento de reivindicação de independência de Timor-Leste em relação a Portugal e à pressão colonial. 

Na sua raiz esteve a criação da Casa de Timor, oficialmente reconhecida pelo Governo português a 26 de janeiro de 1974, por um grupo de portugueses com ligações a Timor, resultado tardio da Casa dos Estudantes do Império (sobretudo de África, desde 1948), iniciativa do Estado Novo. Situava-se na Rua Antero de Figueiredo nº 2, em Lisboa, e pretendia ser um centro cultural e de informação para os estudantes timorenses e os amigos de Timor em Portugal. 

Contudo, um grupo de estudantes leste-timorenses então a estudar em Portugal (Abílio Araújo, Vicente Reis ‘Sahe’, Hamis Bassarewan ‘Hata’, António Carvarino ‘Mau Lear’ e Justino Yap) recusava associar-se à Casa de Timor, já imbuídos de uma literacia política que se associava aos movimentos independentistas dos territórios de administração portuguesa em África. Consideravam-na um local colonialista e frequentado por informadores da polícia política portuguesa PIDE/DGS.

Após a Revolução de 25 de abril de 1974, esses estudantes ocuparam o local (6 de maio de 1974), que passaram a designar Casa dos Timores (Casa Comum, Arquivo da Resistência Timorense, Pasta: 11008.048 [consulta 06-06-2020]). Abílio Araújo assumiu o cargo de Presidente e António Carvarino o de Diretor.

Numa Assembleia Geral em junho de 1974, a Casa dos Timores aprovou uma Declaração de Princípios e formulou um conjunto de reivindicações que seriam referências importantes para a Resistência nos anos seguintes.

A Casa dos Timores tornou-se um local de debate e aprendizagem política para os estudantes leste-timorenses que estavam em Portugal. Produziu diversas publicações relacionadas com a situação colonial, o ensino e outros temas (CIDAC Timor Online [consulta 06-06-2020]).

Em setembro de 1974, um grupo de estudantes ligados à Casa dos Timores regressou a Timor para fazer trabalho político. Todos eles viriam a ter papéis destacados no primeiro Governo da República Democrática de Timor-Leste e na Resistência.

O estudo mais completo até à data sobre a Casa dos Timores deve-se a Antero Benedito da Silva (2011). Fretilin popular education 1973-1978 and its relevance to Timor-Leste today. Ph-D. Armidale: University of New England (Australia) pp.56-73.

Imagem: Estudantes grupo Casa dos Timores, hanesan: Vicente Reis (Sahe), Dulce Cruz (Uewe), Justino Yap e António Duarte Carvarino (Mau Lear) (Knua Halibur Memória Sahe – Facebook)

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